Ueba ! O número 2 da revista “Alfa – Homem”, da Editora Abril, está nas bancas do país. Isso vale um post exclusivo, como prometi à Denise Dahdah, editora de moda da publicação. Escreverei depois do nº 3, assim teremos um tempinho necessário para que tal veículo se afirme e ganhe força no mercado editorial brasuca.

As revistas masculinas estrangeiras chegam regularmente às nossas melhores livrarias, além das bancas Premium. Não se pode mais reclamar da falta de acesso ao conteúdo privilegiado, além dos últimos lançamentos de livros focados na história da moda do homem, e suas reflexões contemporâneas. Detalhe: é caro, mas não mais do que roupas e acessórios, ditas Premium.

altalt

O nosso foco aqui hoje, extrapola a chegada da “Alfa Homem” da Editora Abril, a promessa (novembro?) da entrada da revista italiana “Riders”, na seara das publicações brasileiras focadas no homem (lifestyle + moda), trazida pela Nastari Editores. Vamos combinar que este papo ultrapassado, antigo e desatualizado, de afirmar que nada muda, no cenário da moda masculina, nacional e internacional, de uma estação para a outra, está por fora.

O Fashion Rio, SPFW, e também o Casa de Criadores, Dragão Fashion, e o Rio Moda Hype, são nossas principais incubadoras de novos talentos, no setor, menos tímido, a cada ano. Os lançamentos gringos, podem ser vistos na web, praticamente em tempo real. Algumas marcas como a Prada, por exemplo, provêem editores de senhas para ver o desfile ao vivo, no seu site.

Tais pólos lançadores de tendências, capitaneados, nesta ordem, por Florença, Milão, Paris e, junto com o feminino, Nova York e depois Londres, menos badalado, mas não menos intenso, e vigoroso, difundem, além de cores e silhuetas, também comportamentos, estudos, reflexões e afins, que nos incluem, nossa cultura e novidades, como habitantes do guarda-chuva do novo, nós, abaixo do Equador. Acreditem e pesquisem, se informem a de meter o pau na tal ditadura da moda gringa. Como disse Gil, antes de criticar, “se oriente, rapaz!!”.

Tais eventos, gringos e brasucas, são também o palco ideal, o grande laboratório, para a constatação de mudanças radicais, evolução de determinados caminhos propostos em edições anteriores, ou adaptações e atualização de tendências, enfim, estratégias que sinalizam renovações na moda masculina, tida ainda por muitos, como chata e monótona.
Confesso que já não tenho mais tanta paciência para ouvir tal ladainha alienada. A indústria cada vez mais faz um esforço hercúleo, para acompanhar o comportamento do homem contemporâneo, com relação à sua moda. Vale lembrar que MODA, repito, é um grande negócio.

A Revolução Industrial, foi a revolução da indústria têxtil que colocou o Império Britânico, no mapa das grandes transformações na cultura ocidental.
Hoje, o segmento masculino se democratiza. Além de revistas novas chegando às bancas e livrarias, o comportamento do homem é pauta nobre (thks God! Isso rola desde o começo dos anos 2000) em muitos outros veículos impressos, sites e blogs (aqui me refiro aos de conteúdo confiável).

Todos ventilam seu estilo de vida, publicam manuais, serviços, matérias que resgatam os hábitos de seus pais e avós, logo, cada vez mais, o homem não fashionista, tem acesso às informações de moda, evolução de seus trajes, às normas de elegância e bem vestir e suas adaptações a nossos tempos.Pensar em moda do homem, também é refletir (meu verbo do dia) sobre o seu tempo, daí a necessidade de conteúdo além do sobe e desce de bainhas pescando siri, do conteúdo de reformas sociais, econômicas e afins.

Aqui entre nós, o homem urbano target de todas as agências de publicidade, para vender carros, eletrônicos, gadgets e afins, sempre quis ter acesso às informações sobre seus trajes, seus dress codes, como usá-los, com o conservá-los. Mas, sempre relegado ao purgatório do estilo, os avatares das mídias não eram generosos, o suficiente, para prove-lo de conteúdo. Se o cara não conhece seu terno executivo, intimamente, se ele não tem prazer ao vesti-lo no dia a dia, tal roupa passa a ser uma tortura. Se ele não descobre os prazeres de possuir uma ótima gravata de seda, se não a considera objeto de coleção, instrumento para agregar status no seu trabalho, por que tê-la amarrada ao pescoço o dia inteiro?
Ai entramos na Era da Imagem, e o que poderia ser vaidade, passou a ser ferramenta e uniforme de trabalho. Imagem conta.

O homem tem que saber e cai dentro, vai à luta. Tal comportamento é inerente à natureza do macho: prover a casa, exibir seus enfeites. Aí, finalmente, muita gente descobriu que o homem compra, ou melhor, precisa comprar para ganhar mais e comprar mais. Com mais grana, a necessidade da roupa do trabalho, pode virar um prazer, um jogo. Nada mais masculino e, nada mais típico do macho. Afirmo, sem importar sua orientação sexual. E, ponto.

É claro que o segmento gay, hoje é determinante em determinados focos do consumo. Foram eles precursores de hábitos, hoje considerados “coisas de macho”, tais como os cuidados de higiene e beleza, apelidados de grooming, gastronomia, culinária etc.
Infelizmente, ainda é muito comum, em nossos principais eventos de moda, editores consagrados do feminino, tacharem a moda dos homens, como algo monótono e sem novidades. Ueba ! Será que alguém vai dar um toque para que tais profissionais respeitados, olhem à sua volta? Os mais ligados já promovem em seus veículos, críticas mais generosas, favoráveis à moda masculina. Isso deve ser festejado. Mas, profundidade e conteúdo, conhecimento de causa e batalha por mais espaço, ainda são incipientes.

Aqui entre nós, só não vê quem não quer. Existe sim, mais barulho do que negócios, mais estardalhaço e informações distorcidas, do que faturamentos reais, mas com um pouco de boa vontade, nós que professamos nossa fé e ganhamos nosso pão na chapa, trabalhando a moda masculina, podemos nos dar uma indulgência, um crédito de confiança e tolerância, ao afirmarmos o que aprendemos com nossos avós “onde há fumaça, há fogo”. Ainda que este fogo seja o de um palito de fósforo, reaprendemos a usar corretamente nossos trajes de trabalho, para ganharmos tutu e investirmos em nossas roupas de festas, de conquistas. Roupas Estandartes da alegria de se sentir bonito. Exibi-las, também faz parte dos instintos do macho das espécies: do leão, ao pavão, do tigre ao homem.

Se levarmos em conta que o feminino também passa a limpo, incansavelmente um século de mudanças radicais, o século XX, nos damos conta de que esse papo “homem não muda nada”, como disse Caetano Veloso, “ já está prá lá de Marrakesh”. Apenas como curiosidade: quem nasceu primeiro, ovo ou galinha? No século passado, a visibilidade da mulher e seu ingresso oficial e como membro efetivo da sociedade, exigiu trajes mais práticos, dinâmicos, menos delirantes e glamorosos. Daí todo o guarda-roupa do homem ter sido passado a limpo, moldado ao seu corpo: das calças e direito de voto, no princípio, ao power dress, quando ela chega às grandes corporações, no final dos anos 1990.

altalt

E, por falar em revistas e na importância da reflexão sobre o seu conteúdo, na formatação de um crítico de moda, aguardem o clip com as capas das revistas masculinas, brasileiras e internacionais, que chegaram às nossas bancas e livrarias, e passaram pelas mãos e olhos deste blogueiro, de agosto até o dia de hoje. A DDock News, no cruzamento da Oscar Freire com a Haddock Lobo, aqui em São Paulo, é expert nos melhores títulos internacionais, além dos brasileiros. É uma revistaria e livraria.

altalt