Vou vestir um jeans”. Não há dúvida alguma de que essa frase significa “vou vestir uma CALÇA jeans”. Isso porque o denim é, historicamente, um tecido que deu muito certo na produção de calças. Existe, claro, jeans em todas as outras peças possíves (estamos inclusive revivendo a volta da camisa neste material), mas um jeans é, sem dúvida, sinônimo de calça. E está justamente aqui o maior desafio proposto pelo concurso LYCRA® Future Designers. Criar e produzir uma pequena coleção, que seja inovadora, que agrade aos olhos de jurados exigentes e, finalmente, que mostre ao mundo quais são as outras muitas possibilidades do que se fazer com um tecido que é sinônimo de uma única peça. E é exatamente por essa busca por um “novo jeans” que queria destacar neste meu último post o trabalho de três finalistas que chamaram minha atenção.

Começo com o grande ganhador do concurso, Andre Lucian Leal, que surpreendeu não apenas pela ótima pesquisa de criação, pelo tema (os samurais) bem trabalhado nas peças, pelo resultado bem amarrado da coleção. Mas por partir do jeans para, através de uma trama feita com maestria manualmente, criar uma nova possibilidade para o tecido. André desconstruiu – e reconstruiu – o tecido para chegar onde queria. Nessa desconstrução, brincou com novas formas de modelagem, sugeriu texturas e, em peças extremamente bem acabadas, mostrou que dá para ir bem além da five pockets com apenas alguns metros de tecido em mãos.

Um outro trabalho do qual gostei muito, mas que infelizmente não chegou aos três primeiros lugares foi o de Juliana Yumi Moriya que, observando as grandes cidades, apresentou modelos futuristas, que mesclavam faixas de jeans escuro com outras de uma lavagem manchada. Fiquei particularmente encantada com o modo com o qual Juliana trabalhou as formas e propôs novas silhuetas para a vestimenta urbana. É isso que esperamos de um jovem estilista. O novo.

Foi justamente aí que a participante Luana Cascais pecou. Luana fez um trabalho brilhante de modelagem, desenho e acabamento. E ganhou notas altas de nosso júri por isso. Merecido terceiro lugar. Mas, se pudesse ouvir um conselho meu para a chegada na “vida real” da moda, numa passarela onde será julgada de verdade, diria a ela que olhasse mais para a frente na escolha de seus temas. Explico: Luana optou por trabalhar com Alice no País das Maravilhas, tema que, há alguns meses, na ocasião o lançamento do filme de Tim Burton, foi exaustivamente explorado - massificado de campanhas de marcas de luxo a embalagens de salgadinhos (sem exagero). Um estilista, como já disse, tem a obrigação de trazer o novo. E a novidade não estava em seu trabalho. Luana precisa usar a criatividade e o know how que mostrou que tem, para olhar mais longe. Aí poderá chegar a primeiros lugares em sua vida profissional.

Foram doze finalistas. Poderia escrever aqui um pouco sobre cada um deles, tamanha a diversidade de propostas e possibilidades apresentadas no concurso. Mas acho que, muito mais que um texto meu, as doze coleções apresentadas dizem tudo. Foco portanto nesses três nomes que chamaram particularmente minha atenção, e digo a todos os finalistas: parabéns. No que depender de vocês e de incentivos como este, em pouco tempo o tão comum “vou vestir um jeans” não vai mais ter um significado único.