Diretora de criação da Darling, uma das mais bem sucedidas marcas brasileiras do setor de lingerie, Margareth Lewinski herdou do pai, fundador da empresa, talento e tino para o negócio têxtil.

Criada em 1949, a marca fez fama com um produto ultra bem feito e de qualidade superior aos demais disponíveis no mercado. Nos tempos de produção em massa, investia no trabalho apurado e cuidadoso de costureiras para confeccionar seus produtos. Parceira da marca do fio LYCRA®, atualmente conta com uma produção anual de 3.600.000 peças distribuídas no Brasil, nos EUA, em países da Europa e da América Latina.
Formada em arquitetura, entrou na empresa em 1984. “Já estava um pouquinho predestinada a trabalhar aqui”, conta, rindo, em entrevista ao blog. “Eu também tinha tudo a ver. Meu pai era uma pessoa têxtil e acabei logo tendo essa afinidade também”, completa. Como diretora de criação, é a responsável por pensar em novos produtos e conceitos. “Fico na busca por novas formas de vestir a lingerie, de encarar a lingerie, e procurando sempre um apoio tecnológico para poder avançar com mais conforto. O sentido do meu trabalho é casar design e função”. Com você, Margareth Lewinski.
Fala um pouco do caráter cultural da lingerie?
A lingerie está muito ligada à cultura. A gente sente isso quando tenta exportar. A lingerie que se usa aqui é diferente da usada na Europa e nos EUA. Tem a cultura latina versus a cultura saxônica, até por conta do biotipo. Se você pensar na Europa, tem a parte saxônica e a parte latina (Itália, Espanha, Portugal...), que é mais parecida com a nossa. Quando você fala em Polônia, por exemplo, as mulheres têm muito mais seio, eles são mais pesados e maiores. Essas diferenças aparecem justamente na lingerie e na moda praia.
Vocês estão exportando?
Nesse momento trabalhamos menos com exportação. O país que a gente tem mais afinidade é Portugal, onde temos três lojas franqueadas. Culturalmente, lá é mais fácil para a gente: eles gostam do nosso jeito de usar lingerie, com sutiãs de bojo, que aumentam os seios, e calcinhas menores, pois a mulher portuguesa também gosta de valorizar o bumbum. Se você mostra uma calcinha assim para uma americana, elas perguntam: “Isso é teen?”. Nos EUA, os seios são grandes e você tem sutiãs de bojos enormes. A brasileira usa roupa mais apertada. Nos EUA, isso é quase crime. “Ai, deixou a marca de elástico”, elas comentam. O nosso G é P lá nos EUA.
Vocês existem há mais de 62 anos, produzem cerca de 3,6 milhões de peças por ano. Na sua opinião, quais as principais qualidades das lingerie da Darling?
Eu acho que a qualidade do produto e do acabamento, uma tradição que está no DNA das costureiras. Se a gente tenta fazer uma coisa mais barata, as costureiras vão logo falando: “Não, mas não pode dessa forma...”. E tem a tradição de inovar design, de trazer novas formas também.
Vocês têm um produto ou uma linha que seja o carro-chefe da marca?
A gente trabalha em três plataformas de produtos: o básico, que você usa embaixo que dá apoio à roupa, dá uma consertadinha no corpo; depois nós temos o fashion, que é moda, o bonito, o design, o atraente, ligado a luxo, glamour e sensualidade. E tem uma terceira frente que seria uma lingerie de clássica sustentação, que é bonita, que seria o conceito do “like a beauty”. A que tem mais a cara da Darling é o fashion. Mas se você for contabilizar, o básico vende mais porque a pessoa compra um conjunto bonito pra namorar e impressionar, e compra meia dúzia de calcinhas lisas para usar no dia-a-dia. Quantitativamente é o básico o carro chefe. Qualitativamente é o fashion que é mais forte.
A moda e a lingerie acompanham as mudanças culturais de cada época. Nesta segunda década dos anos 2000, quais as principais vontades e necessidades da mulher contemporânea?
No básico ela quer uma lingerie que suma, que conforto e não marcar a roupa. Tem que ser fininha, mais fininho, ter costuras invisíveis. Daqui a pouco a gente vai costurar sem linha com processos ultra-sônicos que conseguem colar o elástico. Isso não é futuro, é uma coleção da Darling, a Contact. Além de não marcar e ficar invisível, a mulher espera também uma correção. Toda mulher é muito autocrítica e cada uma tem um probleminha que incomoda. É barriga, quadril, peito caído... A mulher busca uma correção e espera ficar linda, seduzir e impressionar. Tem a questão da cor, de valorizar a pele por meio delas, da renda, dos detalhezinhos, que mexem com sonho e sensualidade no inconsciente feminino.Ela também espera um encontro com a feminilidade na lingerie.

Como você vê a evolução das campanhas da marca?
Nos anos 80 a propaganda ainda falava com o homem. Hoje elas tratam da relação da mulher com a mulher. A mensagem é “fique bem com você mesma”. Em geral, as melhores marcas do mercado não estão falando mais para o homem. E fora isso, a lingerie entrou para o Olimpo da moda, então fazemos nossas campanhas com os melhores fotógrafos, as melhores modelos...
Que dica você daria para os finalistas do segmento de underwear do Concurso LYCRA® Future Designers?
Acho que precisa conhecer um pouquinho da parte técnica, dos aviamentos, das possibilidades que existem e, usando isso, pensar no sonho, no design, na fantasia, na criação. Juntando criação e o conhecimento técnico dá para fazer coisas que sejam viáveis. Esse concurso é muito legal e as pessoas precisam desse espaço para se expressar.
Qual o maior desafio para uma grande marca como a Darling?
É inovar sempre! Uma marca nova aparece como vanguarda e pode sumir rapidamente, mas para uma marca que está há várias décadas no ramo, é mais difícil fazer isso. Aqui juntamos esse espírito inovador com a nossa tradição. Para nós a qualidade está nos pequenos gestos. E aquele pontinho da costureira, e saber escolher o melhor elástico, o melhor tecido. Qualidade e inovação.


