por Lula Rodrigues
No Brasil, no pós –guerra e nos anos 1950, não foi diferente, o jeans também teve grande aceitação. As peças, inicialmente, eram importadas e o acesso ficava restrito a pessoas de alto poder aquisitivo ou que, por alguma circunstância, viajavam para os Estados Unidos. Seu poder de sedução se manifestava principalmente através do cinema, que divulgava o american way of life (o estilo de vida americano) como um ideal a ser perseguido.
Com o objetivo de atingir as camadas populares, uma imitação de qualidade inferior a partir do brim passou a ser fabricada no Brasil, nos anos 1960. Somente na década seguinte surgiu entre nós as primeiras grifes assinando modelos direcionados a um público mais sofisticado. Nasciam assim, os jinzerios, ou seja, estilistas brasileiros que focavam suas marcas no jeanswear. Nos anos 1980, a indústria têxtil nacional fez grandes investimentos no maquinário para a produção de denim e o tecido, principalmente entre os jovens, se tornou a roupa de todas as horas, de “todas as transas, de todos os babados”.

Neste início de século XXI, é uma tarefa difícil encontrar no Ocidente alguém com menos de sessenta anos que não traga o jeans em sua memória afetiva. Em cada um de nós, ele está associado, a momentos inesquecíveis, bons ou maus, e continua sendo, de grande valia, tanto pelo conforto quanto pela durabilidade e capacidade de se adaptar às mais diversas situações. O jeans pode tudo e está em todas. A partir dos anos 1950, como podemos ver no capítulo de História, não aconteceu movimento jovem, sem a participação do denim. Essa convivência quase permanente uniu gerações e se moldou às mais variadas necessidades e desejos da história do consumo contemporâneo.
Verdadeiro camaleão, o jeans se adapta às características de seu tempo: dos beatniks dos anos 1950, aos punks da década de 1970, passando pelos jeans oversize da galera street do hip hop, na última década do século passado, chegando à era dos conglomerados de luxo, como os caríssimos e exclusivos jeans super premium, do século XXI.
Num mundo globalizado, em que as fronteiras cada vez mais, menos existem, o jeans mistura desejos e estilos de vida. É como a música, para a qual não existem barreias entre culturas, nacionalidades, idades, credos e distinções sociais. O jeans, unindo energias, agrega poder aos seus adeptos, pessoas que escolheram vestir um item atemporal e, ao mesmo tempo, o último grito da moda.
Segundo matéria na revista "Vogue" Brasil de fevereiro de 2004, os 17 fabricantes instalados no país, em 2002, produziram 300 milhões de metros lineares de tecido índigo. Isto significa sete voltas e meia ao redor do planeta.
Ueba !! Aguardem os próximos posts, ricos em imagens > na última viagem ao Rio, eu trouxe 6 malas repletas de livros e revistas. No meio delas, uma bibliografia em blue denim.

